O poeta morreu, houve um velório simples como uma festa de terceiro casamento, nada de champanhe, apenas algumas velas sem graça.
O poeta se foi e deixou quase nada como herança para quase ninguém, porque nem sempre haverá de recolher o que é seu aquele que não se sentir merecedor do que lhe for deixado como legado de uma existência., ainda que sejam pérolas.
Mas de fato o poeta partiu, deixou incompletos os versos de sua vida porque a vida haverá de ser mesmo sempre maior que qualquer sonho ou verso.
A saudade que deixou não é, para alguns, a maior dor que sentiu, mas será uma grande perda para quem já não tinha nada a fazer senão aguardar seus próximos versos.
O poeta deixou seus sonhos escritos em algumas estrelas mal escondidas no céu do hemisfério sul, não para ficarem ocultas mas para serem encontradas por alguém que buscar falar com as estrelas. Estes seres poliglotas, a miúde, nascem por aí, não com a abundância das ondas do mar, mas como fenômenos que, de tão extraordinários, mesmo que o ocorram mensalmente, como a lua cheia, todas as vezes admiramos como se fosse um acontecimento único.
O poeta morreu e agora só pode conversar com aqueles que por vontade perderem o censo e conscientes ouvirem estrelas.






