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O poeta viajou

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O poeta morreu, houve um velório simples como uma festa de terceiro casamento, nada de champanhe, apenas algumas velas sem graça.

O poeta se foi e deixou quase nada como herança para quase ninguém, porque nem sempre haverá de recolher o que é seu aquele que não se sentir merecedor do que lhe for deixado como legado de uma existência., ainda que sejam pérolas.

Mas de fato o poeta partiu, deixou incompletos os versos de sua vida porque a vida haverá de ser mesmo sempre maior que qualquer sonho ou verso.

A saudade que deixou não é, para alguns, a maior dor que  sentiu, mas será uma grande perda para quem já não tinha nada a fazer senão aguardar seus próximos versos.

O poeta deixou seus sonhos escritos em algumas estrelas mal escondidas no céu do hemisfério sul, não para ficarem ocultas mas para serem encontradas por alguém que buscar falar com as estrelas. Estes seres poliglotas, a miúde, nascem por aí, não com a abundância das ondas do mar, mas como fenômenos que, de tão extraordinários, mesmo que o ocorram mensalmente, como a lua cheia, todas as vezes admiramos como se fosse um acontecimento único.

O poeta morreu e agora só pode conversar com aqueles que por vontade perderem o censo e conscientes ouvirem estrelas.

 
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Publicado por em 8 de maio de 2012 em Poemas

 

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Som do lá

Som do lá por que você não vem guiar os meus ritmos?
De que me vale o diapasão da compreensão se não compreendo o ritmo da música, e danço?
De que vale entender o universo se me perco nas minhas próprias inconstâncias?
De que vale ter um norte se para os outros lados estão os caminhos que desejo seguir?
De que vale ter certezas se a dúvida é o que faz caminhar?
De que vale a segurança se só na corda bamba é possível encontrar o equilíbrio?
De que vale toda emoção se não há um amor que complete a sua existência?
Som do lá melhor você ser o mote, porque o norte e a morte é um caminho reto e sem sorte.

reescrito em 27/12/2011 – Pousadoca – ES

 
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Publicado por em 15 de fevereiro de 2012 em Poemas

 

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onda

O amor não é um ponto fixo após a paixão, mas uma linha reta sobre a qual suas ondas oscilam.

 
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Publicado por em 15 de fevereiro de 2012 em Poemas, Poemas de Amor

 

Fagulha de vida

Há uma luz lá no fundo que brilha,
Brilha enquanto há vida a pular,
Mas do outro lado, um quarto escuro
Fica esperando a hora de você chegar.

Você se agarra com força à luz,
Ela é apenas uma vela acesa,
E você vive a cuidar que não lhe falte
Oxigênio, candelabro, pavio e cera.

Pro quarto escuro não há tempo,
Paciente lhe aguarda quando jaz
no momento mais incerto
você encontra alívio e paz.

Uma pequena fagulha da vela da vida
Você leva consigo, pois nunca se apaga,
Quando chega, o quarto escuro ilumina,
pouco, mas a vista se acostuma.

Com muita surpresa você descobre,
que o quarto escuro que lhe dava medo,
guarda dentro dele um grande segredo
que cobre o seu espírito de esperança.

Ali guardadas estão incontáveis velas,
Grossas como um tronco ou finas como agulha,
Capazes de gerar luz para recomeçar uma vida,
bastando apenas que encontrem uma fagulha.

 
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Publicado por em 9 de dezembro de 2011 em Poemas

 

A diferença

A diferença entre
o revolucionário e o terrorista
é o lado da luta
que você se encontra

A diferença entre
morte e a culpa
é o lado da arma
que você se acha

A diferença entre
partir e ficar
é o lado do barco
que você acena

A diferença entre
a vigília e o sono
é o peso da pálpebra
sobre os seus olhos

Há uma linha que separa
cada face da escolha feita
mas as conseqüências
são diametralmente opostas

E você é você, um só.
Vivendo um ato de cada vez,
vive sua escolha.

Sem poder ter só
o bom de cada face,
recebe da vida
o bônus e o ônus
de ser o que é.

 
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Publicado por em 29 de novembro de 2011 em Poemas

 

A poesia e o simples

A poesia mirou seu foco no intangível.
O simples foi expulso de suas linhas,
As letras grudaram no papel,
O prazer foi restrito aos deuses
que habitam as 40 cadeiras do panteão.

Cada deus morreu senil e asfixiado
levando consigo o sentido profundo da poesia
Até que foi enterrado, num caixão de ouro,
com uma primeira edição de Gautier,
O último intelectual que falava latim.

Ainda bem que se foram logo
Sobraram os simples e normais
Porque tudo que dá nome aos sentimentos
Já é um estágio anterior ao poema
que vai nascer em cada coração que ler.

 
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Publicado por em 25 de novembro de 2011 em Poemas

 

13 X 32

 
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Publicado por em 7 de novembro de 2011 em Poemas

 

Fala sério

Fala sério.

Fica parado sem saber onde se encontra
Fica calado esperando o que te aponta
Não sabe a hora de correr e de lutar
Não sabe a hora de ficar no seu lugar
Anda de terno e gravata, alinhado
Mas ta com fome e o sapato tá furado.

Fala sério, você sabe o quê e onde tá errado.

Se encontra sempre numa rua sem saída
Pôs silicone, mas a bunda ta caída
Trocou por um garoto o amor da sua vida
Incerta e insegura, vive triste e traída
Acha que a solução para a ferida
É Prozac pra dormir e Botox pra sair, mas isto num dá pé
Pensar que vale o que se tem e esquecer o que se é.

Fala sério, você sabe o quê e onde tá errado
Num conserta porque é mais fácil estar parado

Parece mesmo algum tipo de otário
Vive escondido e com cara de coitado
Nem bem começa já se sente derrotado
Tudo é pesado e você tá sempre detonado

Fala sério, você sabe o quê e onde tá errado
Num conserta porque é mais fácil estar parado
Prefere se sentir gordo e discriminado

Se é coitado e tá fodido, isto é mesmo pleonasmo
Por quem coita, fode e quem tá fora tá ferrado
Fica fora da fartura por que tudo é negado
Tá sempre mal se sentindo desgraçado
O seu futuro é uma sorte pior que o passado.

Fala sério, você sabe o quê e onde tá errado
Num conserta porque num quer
Prefere se sentir discriminado
Procurando quem é o culpado……

Fala sério, levanta, busca, acha uma saída
você vai se sentir uma alma evoluída
a razão para viver não pode ser transferida
e se tudo tá errado te resta o dom da sua via

Fala sério, você sabe o quê e onde tá errado
Nao é seu presente ou seu futuro esperado
Mas a forma que escreveu o seu passado
Então, abre o olho, siga o Chico Xavier,
mude o presente e colha os frutos que vier.

este texto pretende ser um rap para o Shabê cantar.
Escuta ele ai: http://www.youtube.com/watch?v=igRht_y5d5E - é este magro e careca… gente muito boa que acredita na arte.  Torço muito para ele.

 
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Publicado por em 18 de outubro de 2011 em Poemas

 

Meia Lua

Meia lua no céu
é como a minha sina
Ser apenas metade
Num todo inteiro
que é todo mas é meio

Meio ser sou eu
incompletando o que
de mim queria que
fosse tudo num só eu

O outro meio
que se perdeu
dorme um sono profundo
cansado e moribundo

tanto silêncio há nesta metade
quanto há voz no outro eu
um que se desencontra na luz
e outro que se acha
no escuro que se perdeu

 
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Publicado por em 21 de setembro de 2011 em Poemas

 

Esterco e Lembrança

Talvez sejamos só esterco e lembrança
Pode ser que nada haja depois da morte
Pode ser que a gente nunca volte
Pode ser que seja só daqui a esperança

Talvez a vida vá até fecharmos os olhos
Deve ser mesmo esta coisa sem norte
Deve ser este livro sem mote
Deve ser este prato sem sal e sem alho

Talvez a necessidade de acreditar
Seja a força que sustenta a fé
Seja a chama que nos matem de pé
Seja o rumo que devemos trilhar

Porque ser só homem e mais nada
será pesado demais para a gente
será o ser sem ente
será uma vida desesperada

 
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Publicado por em 12 de setembro de 2011 em Poemas

 
 
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